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quinta-feira, 1 de novembro de 2012

DIA DA SAUDADE. Nomes que fizeram rádio

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O 2 de novembro não é o Dia de Finados, como se convencionou dizer. Eu não considero assim. Afinal, a morte não existe como a imaginamos;  é uma passagem. O invólucro da alma, o corpo, apenas deixa de existir no físico mas o espírito radiante, imortal, perpassa esse fenômeno de transição e adentra-se na dimensão da luz. Pela minha crença nessa verdade verdadeira é que eu costumo dizer que hoje não é o dia dos mortos, é o Dia da Saudade. Saudades de pessoas da família - como meu pai -, de amigas e daquelas que, de alguma forma, cruzaram, o nosso caminho. No rádio, por exemplo, o 2 de novembro é para se lembrar de profissionais que marcaram a vida radiofônica mas que continuam vivas na dimensão do espírito.
Ivonete Maia
Cirênio Cordeiro e Neide Maia
Professor Bismarck, da Dragão do Mar

Ulysses Silva
Guilherme Pinho
Antonio Chaves de Assis, meu primeiro operador

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Agora, Airton Monte mora na sabedoria do ser

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O poeta nos deixou. Airton Monte. Um cara. Ou melhor, o cara. Dele, a simpatia do sorriso com que escondia o 'médico de loucos' com que se diplomara. Mas ele era antes de tudo, um escritor. Um doutor da crônica. Um mestre do esmero no diagnosticar as causas de nossa realidade, parecendo viver entre o descanso da rede e as paredes do ambulatório. Pois nesse meio tempo, escrevia crônicas. Escrevia. Porque fosse prosa, fosse verso, Airton era um monte de construções literárias, num texto que levava o leitor a imaginar-se ali ao seu lado, numa conversa que só amigos mais afeiçoados, como Rogaciano Leite Filho, costumavam ter com ele. 

Gostava de Airton como gosto de mim. Essa é a melhor definição de alguém por alguém. Pela (humana) alma franciscana que é, pela liberdade de associar-se a temas tantos em seus relatos diários naquele canto de página do segundo caderno de O Povo. Airton era vida. E arte. 

Pois Airton mudou de endereço. Deixou o físico marcado pelas consequências da boemia, mas saiu de cena como todo bom artista que sabe distinguir o luminoso do sombrio, o perfeito do que ainda não o é, mas nunca se preocupava com a própria saúde. Como médico, diasgnosticava almas e aconselhava a se cuidar de mentes e corações para que a liberdade de existir fosse caminho de luz na fluidez da Vida. Ele, porém, parecia viver num planeta distanciado desse nosso mundinho de questiúnculas e partidarismos, elevando sua alma, todo santo dia, nas linhas que escrevia da máquina de datilografia, que ainda guardava paixão. 

Airton não se foi, como pensam os materialistas; mudou-se, como dizemos nós, espiritualistas de boa vontade e que, por acreditarmos que nada morre, tudo se transforma, perdemos a roupagem física e iniciamos o caminho de volta à pátria do espírito. 

Airton, desde ontem, mora na sabedoria do Ser.