sábado, 27 de outubro de 2018

NOMES. Sai de cena Luiz Carlos Amaral, um nome do rádio


Tomei conhecimento, via postagem de Cláudio Teran, da morte física do radialista Luiz Carlos Amaral. Ele foi vítima de um acidente. Chegou a ser socorrido mas não resistiu. 

Trabalhei com ele e nutria um profundo respeito pela maneira gentil e de trato dele para com todos. Senti muito quando ele foi demitido, ficando longe do veículo que ele mais gostava, o rádio. Entrou em profunda depressão. 

Conversei com ele e sua esposa, no intuito de agilizarmos uma ajuda médica para o seu tratamento mas, diante das ofertas minha e da Dina Sampaio, não surtiu efeito, 

Aproveito o texto do Teran para ampliar esse registro: 

"Luiz Carlos Amaral saiu da vida aos 59 anos. Ele foi atropelado por uma motocicleta no bairro onde vivia, na noite de sexta-feira (26.10). Chegou a ser socorrido, mas não resistiu aos ferimentos. . 

Maranhense de Caxias, Amaral estava no Ceará desde 1985. Cheguei uns meses antes dele. O começo não foi fácil, mas ele não desistiu, até obter um contrato na Rádio Verdes Mares como repórter. 

Sentia saudades da família, e não tinha dinheiro para trazer mulher e filhos, então jogou na extinta LOTO, e acertou na quadra. Não era o prêmio máximo, mas rendeu um bom dinheiro. Ele alugou casa, mobiliou, e foi buscar seus familiares. 

A CARREIRA Luiz Carlos Amaral amava o Rádio e começou nas emissoras de sua terra, narrando futebol. A decisão de tentar a sorte no Ceará foi por achar que poderia se destacar em Fortaleza. No SVM ele de fato despontou na reportagem, foi apresentador de programas, repórter esportivo e narrador. O SVM o demitiu em 1992, e então ele foi acolhido pelo saudoso Moreira Neto na equipe de Rádio do governo do Estado (Era Tasso). 

As viagens pelo Ceará o tornaram conhecido de todos os profissionais do Radio e mídias. Ao lado dele fizemos coberturas memoráveis entre elas a inauguração do Açude Castanhão. Passou também pelas Rádios O Povo; Metro; Ceará Rádio Clube; e Cidade AM. Como repórter foi um sujeito versátil, encarava qualquer pauta, mas gostava mesmo, de verdade de narrar partidas de futebol. O neguinho também era teimoso, obstinado, motivado e dono um humor especial, irônico, e ao mesmo tempo metido a valente, apesar do físico. "Metido não, eu sou cabra valente, não venha não", dizia entre gargalhadas. No começo dos anos dois mil, Luiz Carlos decidiu estudar e formou-se em Comunicação Social, o que o orgulhava. "Diploma é outro nível", dizia. Também narrou jogos para a TV Diário, e atuou como animador de eventos e festas. 

O AVENTUREIRO Amaral se candidatou a deputado estadual (2002) e, antes, fez uma pesquisa para saber o que os colegas de Cambeba achavam. Ninguém aprovou, e ele; "já que é assim vou ser candidato". Outra dele foi a formação como juiz de futebol, o que de início o entusiasmou. Chegou a apitar uns jogos, mas desistiu, "por excesso de monotonia", me disse quando perguntei a razão. 

ÚLTIMOS ANOS Passou por quatro governos como membro da assessoria de imprensa do Estado. Por último atuou na Sec. do Desenvolv. Agrário (SDA). Desde 2015, Amaral se debatia com problemas pessoais que o afastaram de tudo. Não trabalhava, e enfrentava uma depressão longa

EPITÁFIO Dele guardarei as risadas, e as paródias que costumava fazer para tirar onda com os colegas e com a chefia. Algumas tinham letras de puro non sense, e impublicáveis. E a frase: "Sabe porque eu me visto bem? ´Não é vaidade, é pra mostrar que nego é gente, e que nesta munheca aqui ninguém pega"...

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