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17 setembro 2026

LEITURAS. De quando o burro era referência para a educação

 O Carroceiro e o Pobre Animal

Artigo de Carlos Delano Rebouças*



Quando eu era criança, igual a muitas outras da minha geração, ouvíamos de nossos pais que se não estudássemos, nada seríamos na vida; e que talvez, como atividade de sobrevivência,restaria apenas sermos, por exemplo, um carroceiro. 

Isso inevitavelmente assombrava a todos nós em um cenário de limitações e escassez, em uma época na qual era muito comum de se vê nas ruas de qualquer cidade, não de sua zona rural, aquele trabalhador conduzindo uma carroça com material de construção, puxado por um sofrido animal. E que não venha dizer que se tratava de uma preconceituosa maneira de se referir ao honrado trabalhador, que não me negarei de dar todo o meu apoio.

Os tempos agora são outros...Que bom, não é? Maravilhoso é perceber que o quadrúpede animal passou a ser visto cada vez menos nessa atividade; que apesar de tardio, surgiram leis que podem punir aqueles que ainda insistem com os maus-tratos.

E se não temos mais o animal explorado na atividade, para onde foi o carroceiro? E se fôssemos crianças, hoje, o que iríamos ouvir dos nossos pais nas atuais  circunstâncias? 

Essas respostas não as tenho, confesso, mas uma coisa é certa e não se pode negar: nessa mesma estrada da extinção que rumaram o ofício de carroceiro e a exploração do pobre animal, segue também a atenção dos pais à educação dos filhos.

*Carlos Delano Rebouças é professor do SEST-SENAT  

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