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10 julho 2026

CID CARVALHO. O ser e o seu melhor atributo de cidadania

Atrás de um famoso microfone, na antiga Uirapuru, uma figura se magnificava com sua voz atraente e vibrante. Foi assim que conheci o 'doutor Cid", aos tempos em que buscava vaga numa emissora em Fortaleza. A sua passagem, hoje, faz-me lembrar ter sido ele um dos seres humanos de melhor atributo de cidadania. 

Mesmo nunca tendo atuado junto à mesma empresa, mas a figura de Cid Carvalho rondou sempre a minha vida. Eu acompanhava seu trabalho diariamente. Tinha eu pouco mais de 18 anos, quando procurei emprego me inserir na radiofonia da capital. Depois de aguardar vaga na Assunção, enviado pelo padre Mirton, fui até a Uirapuru, porque aquela voz me atraía. 

Era por volta do meio dia e o encontrei na Uirapuru, num estúdio abafado - pois o ar condicionado estava com defeito - e suava às bicas com o calor. Era a hora do 'Antenas e Rotativas'. Tratou-me com enorme simpatia e ficamos dependendo de vagas, mas veio antes o teste da Rádio Iracema, onde comecei minha escalada no sem fio de Fortaleza. 

Anos depois, nos encontramos na Universidade Federal do Ceará, Ele professoer, eu aluno do Curso de Comunicação Social. Minha adioração cresceu ainda mais. E nessa lide jornalística, tive a sorte e honra de entrevistar o pai dele, Jáder de Carvalho, próximo à sia passagem. Até hoje essa entrevista serve de pesquisa à quem se dedica a buscar informações sobre o grande poeta. 

Vim encontrar Cid atuando como espírita e descubro suas famosas reuniões de estudo da doutrina, nas segundas feiras, em sua residência na Parquelândia. Político, foi um senador atuante a Constituinte de 88, impondo na carreira o sentido de eticidade e respeito que, poucos, exercem na atividade legislativa. 

Quase toda semana, era convidado a assistir a reunião de evangelho no lar, mas sempre surgia um impasse. Até a sua prima, Maria Luiza Fontenele, renovou o convite a mim e ao Iury Costa, após a entrevista que fizemos com ela no "Entretantos". E acabamos- deixado para depois. O depois passou hoje. 

Ele, Cid, e eu sabemos da continuidade da vida. A transferência para a dimensão da luz, não significa que deixamos de ser. Por isso, Cid continua. Leva para a outra margem do rio da vida, sua magnificência como ser humano. Nos deixa um legado onde pontificou como homem, advogado, jornalista, politico, mas principalmente cidadão. 

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