Fã compulsivo de obituários de jornal, a cada qual que leio saio querendo ter conhecido o falecido. É sempre um marido impecável, pai de família exemplar, amigo dos amigos, filantropo, honestíssimo. Um deles, num Natal, salvou da morte um peru. Ao se preparar para abatê-lo, percebeu que, intuindo o fim próximo, a ave o olhara tão compungida que ele, comovido, recolheu a faca. E decidiu que, na noite seguinte, o peru iria à festa como convidado, e não assado, de pernas para cima na bandeja. Por que eu gostaria de conhecer tal pessoa? Para ter certeza de que existira.
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