segunda-feira, 9 de setembro de 2019

ARTIGO. O beijo da resistência contra a besta do fascismo

Ricardo Kelmer

O absurdo caso da censura, por parte do prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, ao livro que mostra um beijo entre dois homens é um claro exemplo de que as ideologias fascistas estão à vontade para impor suas leis à sociedade brasileira. Porém, mostra também que, felizmente, a democracia ainda resiste em nosso Brasil pós-golpe. Cambaleante e sangrando, mas resiste.


Crivella tentou, estrebuchou, foi vergonhosamente apoiado pelo presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, Claudio de Mello Tavares, mandou fiscais à Bienal do Livro para recolherem a obra e outras com temática LGBT... mas, após três dias de voltas e reviravoltas no caso, a truculência autoritária do prefeito evangélico-fascista foi derrotada pelo STF, que impediu a censura. A democracia venceu.


Aplausos para a resistência da organização da Bienal. Aplausos para o youtuber Felipe Neto que, como forma de protesto contra a censura, comprou 14 mil livros com temática LGBT nos estandes da Bienal e os distribuiu gratuitamente aos visitantes que os quisessem adquirir, uma jogada perfeita. Aplausos para todos que não se calaram diante de mais um retrocesso nesses tenebrosos tempos bolsonarianos.

O livro que Crivella tentou censurar não fere, em absoluto, o ECA - Estatuto da Criança e do Adolescente, como ele desonestamente alegou. Mas os fascistas acreditaram em sua descarada mentira, da mesma forma que acreditaram em kit gay e mamadeira de piroca. Crivella deveria ser processado por homofobia, isso sim.

Os fascistas, que se sentem à vontade sob o governo Bolsonaro, não pararão aí. Virão mais tentativas de censura e perseguições à liberdade artística e aos direitos humanos. O fascismo, que no Brasil usa a religião para justificar a violência contra todos de quem discorda, não faz política ‒ ele é a negação da política, pois não dialoga, apenas agride, persegue e censura. A única forma de combatê-lo é defender, cada vez mais, os valores e as instituições democráticas. Um pequeno gesto nesse sentido é divulgar o desenho do beijo censurado.

Ame e deixe os outros amarem ‒ este é meu recado para os fascistas que aguentaram ler até aqui. Mas sei que eles não concordarão. Porque é o ódio ao diferente o sentido de suas vidas.

rk - blogdokelmer.com 

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