domingo, 25 de dezembro de 2016

TV. Artigo de Ricardo Feltrin analisa a tv aberta e celulares

Sou fã dos artigos do colunista Ricardo Feltrin. Considero um dos mais importantes críticos da nossa televisão. Hoje, no artigo do UOL, ele escreve sobre a questão do chamado TSV (Time Shifted Viewing). É importante para os que fazem esse tipo de mídia tomarem conhecimento. 

Nas últimas semanas tanto a Kantar Ibope como a GfK começaram a divulgar alguns dados estatísticos a respeito do hábito de consumo dos telespectadores em outros aparelhos, que não as TVs.
O Ibope, por exemplo, chegou a calcular que, em outubro, cerca de 5 milhões de indivíduos no Brasil assistiram a algum tipo de programa de TV de forma não-linear --o chamado TSV (Time Shifted Viewing)-- por pelo menos 1 minuto.
Ou seja, essas seriam as supostas pessoas que viram programas de TV por meio de “on demand”, ou deixaram atrações gravadas como futebol e novelas para ver depois, ou mesmo baixaram algum episódio de alguma série num pendrive, com a mesma finalidade.
Antes de mais nada vale lembrar que 5 milhões são bem menos de 10% dos quase 70 milhões de telespectadores mensurados pela Kantar Ibope nas 15 principais regiões metropolitanas do país.
Ainda assim esse número parece estar bastante inflado, já que inclui todo mundo que viu programação “on demand” (quem acessa o Now, por exemplo, está aqui incluído? O Ibope não revelou).
O Ibope porém foi ainda mais longe ao detalhar que 55% desses consumidores de TV “TSV” são homens, e que a maioria (69%) pertence às classes sociais AB.
O problema de todos esses números é que a Kantar Ibope não divulga um dos dados mais importantes, e para o qual a coluna fez pergunta formal, do tipo:
“Senhor Ibope, qual é afinal a porcentagem de telespectadores de canais abertos ou pagos que hoje tem hábito de assistir programas em celulares, por exemplo?”
A Kantar Ibope não respondeu a essa pergunta, a despeito da insistência da coluna. O GfK também não parece ter (ou se interessar por) esses dados.
Após semanas de investigação, esta coluna descobriu o porquê de tanto mistério: o motivo é que a resposta se traduz numa péssima notícia para os principais clientes das empresas de medição: emissoras abertas e fechadas.
A saber: quase NINGUÉM no Brasil assiste a conteúdo de televisão em celulares, laptops ou outros aparelhos.
Isso mesmo. Com raras exceções, como um ou outro trecho de capítulo final de novela, um jogo de futebol ou algum trecho de episódio de reality show culinário (como o “Masterchef” da Band), as emissoras entram em 2017 sem conseguir arrastar seus telespectadores para as outras telas”.
TRAÇO DE AUDIÊNCIA
Em outras palavras, a audiência de TVs abertas ou pagas nos chamados “devices” é equivalente a um inexpressivo traço de audiência. Zero.
Claro, houve algumas tentativas da Globo de “mixar” a TV com o celular, como o humorístico “Tomara que Caia”, por exemplo.
Houve ainda outras tentativas também de unir conteúdo “on demand” com o da aberta, como o seriado “Supermax”. Mas nada parece ter caído no agrado do público até o momento.
Eis um grande problema para as TVs não só para 2017 como para os anos vindouros: como fazer o público consumir seus produtos em outros aparelhos que não o caseiro televisor?
É certo que TV  aberta continua a reinar absoluta nos lares brasileiros --inclusive este ano cresceu o total de aparelhos ligados no país--, mas não tem penetração alguma ainda no celular, que é o dispositivo com o qual as pessoas-telespectadores passam mais tempo ligadas.
Até prova em contrário, o celular continua sendo um dispositivo para acesso, além da lista de contatos telefônicos, de redes sociais, fotografias e, claro, como veículo aonde se lê uma notícia como esta.
Público maciço assistindo novela em celular? Pelo jeito, isso ainda vai demorar. Se é que um dia irá acontecer.

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