sábado, 21 de novembro de 2009

Crônica de uma Fortaleza cheia de contrastes


Porque hoje é sábado, resolvi sair por aí, fotografando tudo. Hoje em dia os celulares tomam conta do mundo - o Ceará já tem 6,5 milhões -. Desempregam gente boa na atividade fotográfica. De posse de um aparelho desses é possível captar cenas do cotidiano de uma cidade, bela por Natureza mas cheia de contrastes como os flagrantes que acabei captando.

Quem será o jovem adormecido, estendido em frente a uma agência bancária, contrastando com o vai-e-vem de pessoas 'de boa aparência', utilizando esse símbolo do mercado capitalista que são os bancos. Na mesma calçada, a poucos metros, um outro jovem - ao que parece dominado pelo álcool - mistura-se aos dejetos da lixeira, com ares de ter sido remexida por quem dela tira o ganha-pão.



A cidade assemelha-se a Saturno que devora os próprios filhos na mitológica imagem. Cresce a passos de gigante e os problemas, idem. As soluções permanecem anãs. Para evitar acidentes pela ausência de sinalização horizontal, moradores da Aldeota resolveram desenhar o 'pare' que deveria ser preocupação dos órgãos públicos.


Nada foge ao olhar atento de quem resolve tirar o sábado para coletar imagens de uma cidade com as vestimentas de metropole, mas que parece ter perdido a naturalidade de outros dias. Que arrasa com as árvores numa disfarçada poda, para dar espaço aos anúncios de um mercado de consumo que devora não apenas o nosso real, mas a real consciência de preservar o que resta de Natureza.

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