domingo, 29 de janeiro de 2017

FOTOGRAFIA. As lembranças que uma imagem me traz


A igreja da foto é a mesma onde aprendi a ter fé. Fica em Acopiara, onde nasci. Dela tenho lembranças admiráveis. Do catecismo aos domingos nos batentes da lateral. Uma imagem em tamanho natural do Cristo na cruz, fazia eu menino meditar sobre aquele sacrifício. A igreja me traz outras recordações.

A torre e a escada serpenteada que levava para o coro, onde um órgão antigo sonorizava os cânticos das filhas de Maria - Margarida do Pedro Damião, madrinha Cecília, Otília -; vozes que entoavam o 'Tantum Ergum sacramento, venerendo..." e enchiam o ar de nostálgicas lembranças do que fui.  

Tenho quase certeza de que em vida anterior, tive ligações muito fortes com a Igreja Católica. Desde pequeno sonho com ambientes clericais: mosteiros, religiosos, imagens... E uma igreja que eu nunca visitei mas sei onde se situa me é tão familiar que, nos desprendimentos noturnos, eu já a visito com naturalidade.  

Em Acopiara, as festas de janeiro dedicadas a São Sebastião me trazem lembranças de procissões; filhas de maria todas de branco, os vicentinos - meu avô Paulo, à frente conduzindo o estandarte dos irmãos do Santíssimo. E o cheiro de velas preenchendo o ar, enquanto no altar-mor, padres João Antonio e Crizares (ainda vivo), celebravam em latim os ritos da paixão. 


A matriz de Nossa Senhoa do Perpétuo Socorro tinha uma painel pintado por filhos da cidade - de belíssimo encanto! - e que, segundo soube, teria sido coberto com uma mão de tinta, porque um religioso que passou por lá achou inconvenientes imagens de anjinhos com os pintos de fora. 


Há dois anos, passei por lá - no domingo de ramos - e vi crianças e jovens encenando essa festa em meio á celebração dominical. No meio daquela meninada toda, eu vi um garoto de calças curtas, óculos e olhar enlevado pelo mistério da fé que, ainda hoje, me acompanha em minha nova denominação reliigiosa.

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