sábado, 2 de abril de 2016

CULTURA. Séfora Rangel, a volta ao CE em capas de jornais

Lembra-se da música 'Carneiro" do Ednardo? "Amanhã se der o carneiro, o carneiro - vou m´imbora daqui pro Rio de Janeiro", dizia a letra. E o compositor chegou a arrematar: "para voltar em capas de revistas". Isso era uma realidade nos anos 70 e 80 que, aos poucos, foi sendo alterada. Hoje, o Ceará exporta cultura, muito embora ainda existam casos de artistas que precisem ir para o 'sul maravilha' (sic) para serem reconhecidas. A Séfora Rangel é a mais recente prova dos nove dessa tese do 'carneiro'. Foi preciso ir ao sul e provar que tem talento no Teatro, Cinema e TV para voltar em capas de jornais. Hoje, ela ganha alentada (é ótimo!) matéria no Vida&Arte, o caderno de cultura de maior referência do jornalismo cearense. 

Séfora múltipla

Conhecida no Ceará pela personagem de humor Zefinha, a atriz Séfora Rangel vem conquistando espaço Brasil afora na televisão, no cinema e no teatro

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Artista pernambucana? “Na verdade, só nasci lá, não tive nenhuma experiência artística”. Cearense, então? “Isso, foi no Ceará que eu comecei e aprendi muito”. A atriz Séfora Rangel, 40 anos, é ruim de data, só sabe que está há uns dez anos no Rio de Janeiro. Ela, porém, não esquece que o Nordeste é poesia. “A minha raiz é em Fortaleza. Estou aprendendo muito no Rio de Janeiro, mas a essência é da minha terra, o Nordeste”.
Recém-saída da novela A Regra do Jogo, em que interpretava a sofrida Conceição, a artista já era conhecida antes disso no Ceará. Ou pelo menos sua voz. Ela interpretou a personagem Zefinha, a fofoqueira que fez sucesso no rádio local. Mas a artista por trás da personagem cômica que vivia falando da vida alheia tinha outros sonhos. “Sou muito apaixonada por TV, cinema e, claro, por teatro”, conta, com fala apressada e riso fácil.
De criança, já gostava de recitar poemas. “Não tive vergonha, talvez a vocação venha com a pessoa”, arrisca. Dos poemas para o teatro da escola foi um pulo. Para o teatro profissional, uma travessia. Bem difícil, inclusive. “Fiz um pouquinho de teatro escondida, a família não apoiava muito”. Na primeira montagem profissional, ela se deparou com O Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna. Tal qual Chicó e João Grilo, teve de ser gaiata. “Na hora de fazer as fotos de divulgação, eu me escondia para não aparecer em canto nenhum”, ri, aliviada.

A família foi tendo que engolir, porque ela começou a fazer cursos no Instituto Dragão do Mar e não teve mais jeito. Paralelo a isso, se formou em Direito para responder à cobrança de um diploma. “Ainda bem que agora tem graduação em teatro no Ceará”, destaca, contando que não seguiu carreira de advogada. Acostumada a conciliar mundos, Séfora passou a equilibrar o teatro e o trabalho na rádio. Com o passar dos anos, porém, ficou “meio perdida”. “Fui decidindo sair da Cidade, não estava vendo muito caminho pra mim”, conta.
Foi então que se mudou com “a cara e a coragem”. Antes do Rio, passou um tempo em São Paulo, onde fez curso com a preparadora de elenco Fátima Toledo. “Apanhei muito”, brinca, aproveitando a fama de carrasca de Fátima. No Rio, ouviu muitos nãos. “Eu não conhecia ninguém, tudo era muito fechado”, lamenta. Mas, entre muitos testes de elenco, as coisas começaram a andar e ela conseguiu papel no espetáculo Mais respeito que sou tua mãe, do Miguel Falabella.

A partir daí, Séfora entrou no circuito e passou a fazer participação em filmes (como A Casa da Mãe Joana 2 e Não se preocupe, nada vai dar certo) e programas de TV (como Malhação e a série Dupla Identidade). “Atuar, para mim, é um constante aprendizado. Muda a personagem, muda tudo”, avalia. Após o crescimento do seu papel em A Regra do Jogo, ela experimentou verdadeiramente o drama, após tantos personagens cômicos. “Era (um clima) pesado, tenso no núcleo dela (Conceição), uma personagem totalmente dramática”, avalia.
Sobre a inserção de atores cearenses no circuito de TV e cinema do Sudeste, ela observa uma abertura maior. “Tem um novo jeito de olhar, antes tudo era muito focado no estereótipo do nordestino”, analisa, citando o trabalho do seu parceiro de trajetória, Jesuíta Barbosa (também nascido em Pernambuco, mas formado artisticamente no Ceará). Séfora celebra também dos artistas do grupo Bagaceira e do ator Silvero Pereira.
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Participação no filme Casa da Mãe Joana 2 (2013), de Hugo Carnava

“Fortaleza está se colocando como uma grande capital cultural do Brasil”, comemora, apesar de não planejar, por enquanto, voltar para cá “Mas eu morro de vontade de fazer cinema no Ceará!”, avisa a atriz, que apesar de preferir não adiantar, fervilha em novos projetos e ainda planeja conquistar muito mais.
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Conceição, em A Regra do Jogo

SAIBA MAIS

Séfora em Doidas e Santas
A atriz poderá ser vista no mês que vem nos cinemas na comédia Doidas e Santas. Baseado no livro de Martha Medeiros e na peça de Regiana Antonini, o enredo conta a história de Beatriz (Maria Paula) e seu marido (Marcelo Faria) que estão casados há vinte anos. Beatriz, porém, não está nada feliz com a comodidade em que o relacionamento se transformou. Cansada dessa situação, ela toma a iniciativa e pede o divórcio, partindo para novas experiências. Nessa trajetória a personagem de Maria Paula se encontra com a vivida por Séfora.

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