sábado, 12 de março de 2016

TV. Jaguar lamenta saída do Jô da grade da Rede Globo

Jaguar: Quem te viu, quem tevê

A televisão sem o Jô fica muito mais chata ainda

O DIA
Rio - A Lei de Murphy (se alguma coisa pode dar errado dará) se aplica como uma luva à televisão. Quando a gente acha que piorar parece impossível, ficamos sabendo que o ‘Programa do Jô’ vai acabar: o contrato não será renovado. Como eles dizem, vai ‘sair da grade’: uma boa notícia para presidiários, mas nem tanto para quem trabalha na tevê e, no caso, também para nós, que curtimos o Jô. Quando deu no jornal, fiquei esperando um tsunami de indignação, passeatas de protesto. Ledo ivo engano: na mídia, li e ouvi apenas especulações sobre o que e quem substituiria o (insubstituível) Gordo. Ao longo — e bota longo nisso — de 28 anos, ele entrevistou em média três pessoas por programa, seis vezes por semana. Façam as contas e, como eu, pasmem: foram milhares de entrevistados. A maioria para promover livros, shows, discos, filmes e o escambau. A todos o Jô sempre deu força, com seu senso de humor, talento, cultura e, principalmente, generosidade, artigos cada vez mais em falta na praça. Ninguém, que eu saiba, esbravejou publicamente.
O que me deixa pê da vida, mas o Jô sabe que pouco se pode fazer contra — como disse há décadas Stanislaw Ponte Preta — o Febeapá (Festival de Besteiras que Assolam o País). Tanto pior para a Globo, que acredita não existir vida inteligente fora dela. Brindo os leitores com duas histórias contadas pelo Jô: “Comecei no show business quando eu era moleque; ficava na piscina do Copacabana e aprontava milhões. Nós morávamos, na época, no último andar do anexo do hotel. Tinha um parapeito no terraço que dava para a piscina. Sempre tinha muito americano lá. Quando a piscina estava cheia deles, eu subia no parapeito, de calção e com uma toalha enrolada no pescoço. Tirava a toalha e fingia que ia pular na piscina, dez andares abaixo. Aí os americanos ficavam em pânico: ‘Please, no, no, you’ll never make it!’ Aí eu gritava lá de cima: ‘Atendendo a pedidos, darei meu salto amanhã, neste mesmo horário.’”
Outra: “Num restaurante na Alemanha, o dono veio conversar comigo: ‘O senhorr é brasileirro, adorro sua terra, vou vender restaurrante e ir para lá. Tem uma coisa lá que eu adorro, sinto uma falta louca. E aqui não tem.’ Eu perguntei o que era. Ele disse: ‘O esculhambação. O esculhambação é a alegria de viver. Não tem aqui mas no Brasil tem.’” Jô completa: “Então eu acho que a televisão tem esse lado meio esculhambado, sem o qual ela fica muito chata.” E eu acrescento: sem o Jô, muito, muito mais ainda.

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