quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

MEMÓRIA. O 'baixo meretrício' na Música Popular Brasileira

O texto a seguir é de Paulo Carvalho, do Musicaria Brasil, e fala de como era comum o uso de expressões ligadas ao baixo meretrício na Música Popular. 

Na época de ouro dos bordéis no Bairro do Recife, era motivo de orgulho para alguns, dizer: tenho escova de dente, toalha e sabonete na zona, dava status. O restante da rapaziada ficava com inveja do amigo pelo prestígio que o mesmo desfrutava no meio das raparigas. Um destes privilegiados, meu amigo Duda, o mais velho da turma, raparigueiro experiente, principalmente no quesito venéreas, recomendava: tomar bastante líquido antes de afogar o ganso, para depois de terminada a função urinar bastante com a finalidade de lavar o canal urinário. Finalmente, como preventivo, usar pomada Oftil, própria para conjuntivite, esta possuía um aplicador que permitia colocar o conteúdo diretamente na uretra. Fazendo estes procedimentos, garantia, estávamos livres da gonorréia e de outras doenças. Em ultimo caso, recorríamos ao prestimoso balconista da farmácia que invariavelmente prescreveria cápsulas de Tetrex, um verdadeiro milagre na cura da blenorragia. Fica claro quenada disso funcionava, mas, diminuía o medo da contaminação. Admitir estar com uma “doença do mundo” em casa, para os pais, era ficar sujeito aos castigos de quem tinha cometido um pecado mortal.

Subir as escadas dos quatro andares do número 58 da Rua do Bom Jesus era chegar ao paraíso. Domínio da cafetina conhecida como Nega Loura, o local tinha todas as características dos cabarés da região portuária. Luz vermelha no ambiente, mesas espalhadas pela sala, corredores com várias portas indicavam alcovas de prazer e luxuria. Na vitrola discos de vinil com 78 rotações por minuto, tocavam músicas que levavam os boêmios às lágrimas com sentimento de culpa pelo abandono do lar.

Este sucesso na voz de Carlos Gonzaga conta um pouco desta história.




Obs.: Os medicamentos citados estão em desuso.

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