sexta-feira, 5 de junho de 2015

HQ. Uma aventura de Wolverine no Pirambu em Fortaleza


Dei uma passada na 'comic shop' Revistas&Cia para bater um papo com o Silvio, e depois de ouvir as queixas dele de que o mercado não anda bem, descubro uma edição do Wolverine, desenhada pelos franceses Jean-David Morvan e Philipe Bouche. 

Nessa revista, o personagem famoso vem de férias ao Brasil, para ser mais preciso em Fortaleza e para ser mais preciso ainda: no Pirambu. É lá que se desenvolve a aventura chamada de 'Saudade', onde o mutante circula pela comunidade, luta contra menores de rua, esquadrões da morte e a violência que marca a nossa cidade de belas praias. 

Jean-David Morvan e Philippe Buchet Panini Comics, 48 páginas, Na França: R$ 38, www.paninicomic.fr e www.marvel.com
O QUE DISSE A SUPERINTERESSANTE
Super-herói tem férias? Wolverine tem. Na história em quadrinhos da Marvel que será lançada este mês na França, o mutante de 3 garras vem dar um tempo em Fortaleza. Acaba em Pirambu, a favela de maior concentração urbana do Brasil, com 350 mil pessoas. Num enredo bem politicamente correto, que envolve divindades do candomblé e homens do Esquadrão da Morte, o mais durão dos X-Men vai deparar com a vida de meninos de rua. Primeiro, encrenca com eles: tem sua moto roubada. Depois, passa a considerá-los tão heróis quanto seus amigos mutantes. Wolverine também se apaixona por uma brasileira com poderes divinos que conhece durante uma festa de Iemanjá.



Suas férias chegam ao fim quando ele se dá conta que os verdadeiros inimigos não são os trombadinhas que cheiram cola. “Mas, sim, homens feitos que têm pistolas e que realmente ameaçam a vida dos outros”, diz o roteirista francês Jean-David Morvan (leia entrevista ao lado). Ele e o desenhista Philippe Buchet assinam a história em quadrinhos Wolverine: Saudade, o primeiro da série Transatlantique, coleção da Panini Comics que tem como idéia lançar novas histórias com os heróis da lendária editora nova-iorquina Marvel. Para desenhar os cenários de favelas, Buchet, que ainda não conhece o Brasil, conta que teve como referência uma história similar: Cidade de Deus. “O filme mostra uma realidade dura, de onde os personagens conseguiram sair. Isso nos inspirou a criar a aventura no Brasil”, diz Bouchet.

"O Brasil faria bem a Wolverine"

Criadores da história acham que Wolverine deveria conhecer a favela
Por que Wolverine foi ao ceará?
Morvan – Wolverine vive nos EUA, uma sociedade muito fechada. Pensei que ele poderia ir a um país como o Brasil, um lugar cheio de qualidades e problemas, como nossos personagens. Os meninos de rua da história não são bons nem maus, os inimigos tambem não, e mesmo Wolverine não é de todo bonzinho.
O que wolverine achou do Brasil?
Buchet – Ele encontra uma certa liberdade com a qual se identifica. Percebe que o Brasil é muito mais vivo e emocionante que os EUA. E se dá conta de que a escala da vida é bem diferente no Brasil, que a sobrevivência é muito mais difícil para crianças pobres. O que não impede, no entanto, que elas tenham valores como afeto, amizade e educação. A idéia era mostrar o que quem mora nos Estados Unidos ou na Europa não sabe que existe.
Por que “saudade” no título? O que faz falta?
Morvan – Wolverine tenta salvar um menino, mas não consegue. Então pensa que, se aquela criança tivesse sobrevivido, teria sido um super-herói. Isso o fez aprender o sentido da palavra “saudade”.

Um comentário:

Carlos Martins disse...

Nem Wolverine consegue resolver o problema da violência em Fortaleza. .brincadeiras a parte,lamentável como a midias estrangeira faz questão de relatar apenas as mazelas do nosso país, demonstrando preconceito e ignorando que eles também apresentam problemas como:terrorismo,ressurgimento do nazismo em algumas regiões da Europa com perseguição a estrangeiros,insurgencias sociais na França,além dos assassinatos em massa que vez por outra acontecem nos EUA.