sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Avatar. Parábola sobre a Ameríndia perdida


Acabo de chegar de Pandora. Digo, "Avatar". Uma parábola de James Cameron sobre a descontrução feita pelo poder destrutivo do colonizador junto as sociedades primitivas e que se afigura hoje na literatura em diversos registros.



Tudo lembra a historicidade da América colonizada. Para ser mais direto, da Ameríndia que Colombo sentenciou ao extermínio, passando pelas civilizações maia e azteca, até os povos do litoral do sul afugentados para o centro do continente pelos invasores em busca do ouro e outras riquezas.

No filme de Cameron, o personagem principal Jake, incorpora literalmente o mito do povo de Pan (Pandora), numa ligação muito curiosa com as raças do deus Tupã [ já uma derivação de Pan ] e mitifica o direito dos nativos de elegerem seu próprio destino.

A lenda de 'Avatar' repassa em nossa mente obrigatoriamente outras similares que se reportam a chegada dos seres do mar (os seres do ar, no filme) ilustradas por autores famosos como Alencar ao descrever o encontro do guerreiro branco com Iracema.

O filme, também, nos remete a outros registros como os invasores do povo inca infernizando com o fogo dos canhões a vida de todos. E, sem querer, eu me lembro do aventureiro Hans Standen no início da colonização brasileira.

Ao celebrar a identificação do povo com a Natureza e os animais e sagrar o culto aos mortos numa completa sintonia com as duas dimensões da Vida, Cameron e sua equipe reciclam a própria história humana.

Aliás, o cinema americano parece desculpar-se do tratamento dado por ele aos chamados selvagens em várias produções, além de evidenciar o mea-culpa do povo às intervenções em países como Vietnã e Coreia.

Avatar abre um leque de reflexões, a ponto de uma pessoa mais atenta nem se importar tanto com a questão do 3D que, diante de uma história bem contada, funciona como simples protagonista para realçar ainda mais o brilho dos efeitos hollywoodianos.

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